Qual operação você está aplicando em sua vida?

Você está somando ou subtraindo, está multiplicando ou dividindo? Qual operação você está aplicando na sua vida? Se me fizerem essas mesmas perguntas eu tenho a resposta na ponta da língua: “Depende”. E por isso vou subtrair um pouco mais do seu tempo.

Há alguns anos eu aprendi que a Matemática é uma ciência exata e também um língua com a qual você pode realmente se comunicar. Aprendi também que, embora ela seja uma ciência exata, uma resposta muito comum para o resultado de um problema matemático é depende. Isso acontece porque temos o hábito de não sermos precisos quando formulamos uma questão.

Quer um exemplo? Qual o valor do número 100?

Isso mesmo, você acertou! A resposta é “depende”.

Fomos ensinados e nos acostumamos a pensar com base no sistema decimal ou Base 10. Utilizando esta Base para encontrar nossa resposta o valor do número 100 é 100, mas se utilizarmos a Base 4, por exemplo, o valor do número 100 passa a ser 10.

Achou isso confuso e esquisito? Não se preocupe, pois o exemplo termina aqui, porém ele serviu para ilustrar como mesmo os fatos que acreditamos serem exatos podem ser ou se tornar relativas de acordo como nos expressamos ou dos parâmetros que usamos para definir uma questão.

Por isso, voltemos à nossa pergunta inicial: qual operação você está aplicando em sua vida?

É provável que a primeira resposta que surgiu em sua mente foi que você está somando, ou que você está multiplicando, mas será mesmo que é isso o que está ocorrendo?

Note como é interessante o modo como nos acostumamos a aceitar que subtrair e dividir são fatores negativos e que ao utilizá-las estamos perdendo ou diminuindo em comparação com o que julgamos já ter conquistado, mas acredite quando lhe digo mais uma vez: “Depende”.

Em uma operação simples de adição no sistema decimal, 1 + 1 tem como resultado 2, contudo quando o assunto é relacionamento, 1 + 1 pode ter muitos resultados. Uma pessoa, geralmente, é muito mais do que simplesmente a soma de suas partes e ao unir duas pessoas sob um mesmo objetivo o resultado pode ir do melhor ao inimaginavelmente incrível.

Entretanto, é exatamente por isso que nem sempre o resultado sai como o esperado ou planejado. Assim como uma operação matemática que envolve números, uma operação que envolva pessoas necessita de precisão, tanto na forma da operação quanto na definição do valor dos elementos envolvidos.

Da mesma forma em que -1 + 1 = 0, duas pessoas com objetivos diferentes ou até mesmo incompatíveis se anulam e com isso não alcançam o sucesso almejado.

O mesmo tipo de situação irá ocorrer quando multiplicamos +1 x -1 = -1, só que no caso de pessoas com diferentes propósitos ou de objetivos que não estão alinhados com a proposta principal do negócio, o resultado negativo significa literalmente uma perda, que pode ser de tempo, de recursos, do próprio relacionamento ou de tudo isso e mais um pouco.

Todavia, encontrar onde está o erro nestas operações que envolvem pessoas pode não ser uma tarefa fácil, até porque geralmente o erro estava na avaliação que fizemos dos elementos envolvidos e da própria operação escolhida muito antes de colocá-la em prática.

Muitas vezes o erro na avaliação está no julgamento que fazemos durante o processo inicial. Julgamos que estamos ajudando aquela outra pessoa ao nos associarmos a ela ou, ao contrário, julgamos que seremos ajudados. Outras vezes multiplicamos nossas áreas de atuação acreditando que atuando em mais lugares ao mesmo tempo aumentaremos as oportunidades de crescimento, afinal, nunca é bom colocar todos os ovos em um mesmo cesto, não é mesmo.

Porém, não é assim que o mundo funciona e raramente os resultados correspondem ao planejado.

Vamos ser honestos, qualquer negócio é criado para dar lucro e não para ajudar as pessoas. Não é que ele não possa ajudar, mas seu primeiro objetivo e gerar lucro. Então, não fique parado esperando ser ajudado, mostre do que é capaz e descubra ou aprenda como contribuir ativamente para o resultado positivo da operação. Do mesmo modo, ao invés de só ajudar e estender a mão, apóie e incentive a participação ativa do outro, afinal, é provável que você não seja uma ONG nem atue como assistente social e um negócio que não cresce, desaparece.

Quanto àquele negócio de não colocar todos os ovos no mesmo cesto, perceba que continuam sendo só ovos, não passou a existir cenouras ou batatas nesta operação, tampouco surgiram caixas, latas ou qualquer outro tipo de recipiente, continuam sendo somente cestos.

Você deve estar se perguntando qual a relação disso tudo. A resposta, ou melhor, o resultado é “foco”.

Isso mesmo, foco. É preciso, aliás, é imprescindível que você não perca de vista o objetivo principal, o seu propósito, principalmente durante as avaliações que fizer antes de efetuar qualquer operação.

É essencial manter o foco durante seus julgamentos e durante a atribuição de valores que der aos elementos que serão envolvidos ou utilizados na operação.

Questione-se com seriedade se os elementos escolhidos e a operação definida contribuirão de forma real e efetiva para alcançar um resultado positivo.

Caso encontre algo que não contribua, exclua-o da operação ou mude o tipo de operação ou ainda desista de realizar a operação naquele momento, sob o risco de ao ir em frente e obter um resultado negativo e por tudo a perder.

Talvez você me considere muito dramático, ao que eu lhe responderia que isso seria cômico se não fosse trágico.

A pergunta que você deve fazer a si mesmo é: eu preciso mesmo correr esse risco? Note que eu disse “preciso” e não “quero”, isso porque querer você quer, caso contrário não estaria se perguntando isso. A questão aqui é se o risco vale a pena de verdade ou se é apenas vontade e como você sabe “vontade é coisa que dá e passa”.

Mas nem tudo está perdido e hoje eu estou bonzinho, por isso vou deixar algumas regrinhas para auxiliar na definição de suas operações.

  • Se for para somar, é preciso que a expectativa de resultado a ser alcançado seja maior do que seria de cada indivíduo sozinho. Se duas pessoas se juntam e cada uma sozinha é capaz de produzir 10 unidades/dia, essa parceria NÃO PODE produzir somente 20 unidades/dia. É imprescindível que essa união possibilite produzir 20+ unidades/dia, caso contrário, ela não faz sentido;
  • Se for para subtrair, que seja para produzir melhor e com maior qualidade. Algumas vezes nosso foco está pulverizado entre diversos produtos ou serviços. Reduzir as opções e focar no que dá maior resultado positivo nos dá mais fôlego e agilidade, tornando-nos mais competitivos e eficientes;
  • Se for para multiplicar, que seja a sua presença, ou melhor, sua participação no mercado. Ao se associar as outras pessoas ou empresas é fundamental que todos tenham o potencial de ampliar a visibilidade e gerar novos negócios. Não se trata de produzir mais. Estamos falando de conquistar novos clientes e abrir novas frentes de mercado, tanto para você como para os outros, independente se estão ganhando juntos ou separados. Um bom exemplo de multiplicação bem sucedida são as redes de farmácias, onde cada unidade funciona com relativa independência, mas contribui para o crescimento do grupo como um todo ao atuar sob uma mesma marca;
  • E finalmente, se for para dividir, que seja para conquistar. Você pode e deve dividir para continuar crescendo todas as vezes que perceber que chegou ao seu limite. Forçar sua estrutura além do limite provocará desgastes, sendo que para alguns deles pode não haver peças de reposição. Por isso, antes que o desgaste aconteça, divida, delegue, substabeleça e siga em frente. Não veja a divisão como uma ruptura ou uma perda que o marcará como fraco. Entenda que até as células do seu corpo se dividem para você crescer.

Deixo aqui uma última regra ou talvez devesse chamar de conselho: nunca se esqueça de incluir em suas avaliações e julgamentos uma boa dose de bom senso. Isso evita muitos erros.

E agora, já consegue responder a pergunta, qual operação você está aplicando em sua vida?

Independente de qual seja, desejo que os resultados sejam positivos.

Comentário Final:

Este texto nos convida a refletir sobre como as operações matemáticas, como somar, subtrair, multiplicar e dividir, podem se relacionar com nossas escolhas e ações no dia a dia, tanto na vida pessoal quanto profissional. A ideia de que os resultados dependem da precisão na definição das questões, como exemplificado pela reflexão em [Como anda a matemática na sua vida?], também nos remete a outras análises importantes, como a discussão sobre os julgamentos e decisões em [A vida não é só preto e branco], onde a percepção e as escolhas têm um impacto profundo em nosso percurso. Além disso, as ideias sobre encontrar equilíbrio, saber dividir e focar no que é essencial para o crescimento podem ser alinhadas com o conceito de não desperdiçar tempo ou energia, abordado em [Não é o fim do mundo…] ou ainda, o foco no resultado, como falado em [Entre o agora e o nunca].

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A Essência Por Trás das Minhas Palavras

A Integração entre Matemática e Filosofia da Vida

Eu busquei mostrar como a matemática pode ir além de ser apenas uma ciência exata, propondo que ela seja uma ferramenta interpretativa para compreender a vida. Ao destacar que a resposta para uma questão matemática, como “qual o valor de 100?”, pode variar dependendo do sistema de base utilizado, eu quis transmitir uma ideia importante: a nossa percepção da realidade também é relativa. Ou seja, ela depende do contexto em que a interpretamos. Refletindo sobre isso, percebi que a matemática, em sua forma abstrata, poderia ser vista como um espelho para a vida cotidiana, onde a forma como formulamos nossas perguntas e interagimos com o mundo também define os resultados que obtemos. É uma maneira de entender que a relatividade não se limita ao campo da física, mas pode ser aplicada à nossa existência.

O Conceito de “Depende” e o Processo de Avaliação

Quando introduzi o conceito de “depende”, tanto no campo matemático quanto na vida, queria chamar atenção para a incerteza e a flexibilidade das situações. Muitas vezes, buscamos respostas definitivas, mas o que proponho é que essa busca nem sempre é eficaz sem antes uma análise cuidadosa das variáveis envolvidas. Essa reflexão não é apenas sobre matemática, mas sobre as escolhas humanas. Ao aplicar esse conceito tanto em situações pessoais quanto profissionais, busquei criar um espaço para refletirmos sobre como a incerteza e a subjetividade impactam nossas decisões cotidianas. Esse tipo de abordagem filosófica prática me parece essencial para uma compreensão mais profunda da maneira como tomamos decisões, sugerindo que podemos fazer escolhas mais assertivas ao perceber as nuances e as variáveis que não são óbvias à primeira vista.

Metáforas Matemáticas para Dinâmicas Interpessoais e Empresariais

Eu me inspirei nas operações matemáticas como soma, subtração, multiplicação e divisão para refletir sobre as dinâmicas interpessoais e empresariais. Embora a ideia de soma (colaboração) e subtração (foco) seja conhecida, minha proposta é conectá-las diretamente com as escolhas e valores individuais dentro de um contexto de negócios e parcerias. Não me limitei a falar sobre o conceito de trabalhar em equipe ou fazer o seu melhor de forma superficial, mas busquei explorar como essas operações funcionam em um cenário mais complexo de relacionamentos humanos e como isso afeta a dinâmica de objetivos comuns. Quando falo sobre como a soma de duas partes deve resultar em algo maior do que elas isoladas ou como a multiplicação de esforços gera crescimento, estou propondo uma maneira de refletirmos sobre como as relações interpessoais e profissionais podem ser transformadas pela aplicação desses conceitos matemáticos.

A Noção de “Foco” como Elemento Central

Embora o conceito de foco seja recorrente em diversas abordagens de desenvolvimento pessoal e empresarial, eu queria trazer uma nova perspectiva ao vinculá-lo ao entendimento das “operações matemáticas”. Ao sugerir que, assim como em uma operação matemática, a escolha correta da operação é essencial para o resultado, também acredito que na vida, a clareza sobre nossos objetivos e a atenção ao que realmente importa são fundamentais para o sucesso. A partir dessa analogia, não apenas defendo a importância do foco de maneira genérica, mas trago uma reflexão mais profunda sobre como falhas em uma avaliação inicial — seja na escolha de uma operação ou na definição de um objetivo — podem resultar em um resultado negativo. O foco, para mim, não é apenas sobre realizar tarefas, mas sobre compreender e avaliar constantemente o que é realmente necessário para alcançar nossos objetivos de forma eficaz.

Aplicação Prática e Concretização das Metáforas

Ao apresentar as “regrinhas” para somar, subtrair, multiplicar e dividir de maneira eficaz, busquei transformar o que poderia ser uma reflexão abstrata em algo prático e aplicável no dia a dia. Essas regras não foram pensadas apenas para serem entendidas, mas para que pudessem ser aplicadas de forma concreta, criando um elo entre a teoria e a prática. Quis tornar acessível a reflexão filosófica e matemática, fazendo com que os leitores não apenas pensassem sobre esses conceitos, mas os utilizassem em suas próprias vidas. A metáfora matemática, assim, deixa de ser apenas um conceito abstrato e se torna uma ferramenta prática para guiar as decisões cotidianas, permitindo que as pessoas possam aplicar esses princípios de maneira tangível.

Conclusão

O que busquei expressar foi uma conexão profunda entre conceitos matemáticos clássicos e reflexões filosóficas sobre a vida, sem recorrer a inovações de linguagem ou conceitos ineditistas. Ao integrar a matemática à reflexão sobre as relações humanas e as decisões empresariais, propus uma nova maneira de ver as coisas: a matemática não como algo distante e abstrato, mas como uma linguagem capaz de nos ajudar a entender e a agir no mundo de forma mais consciente e prática. A combinação de precisão e flexibilidade, essa visão relativista, me pareceu essencial para demonstrar como as escolhas que fazemos na vida, assim como em um problema matemático, precisam ser constantemente avaliadas e recalculadas para que possamos alcançar os melhores resultados possíveis.